ISSN 1519-7670 - Ano 14 - nº 565 - 24/11/2009
  Observatório no Rádio
Início > Blogs > Observatório no Rádio + A | - A
   
Observatório no Rádio
Programa 1157
>>O papel das empresas
>>Um marco para a internet
Postado por Luciano Martins Costa em 4/11/2009 às 9:02:16 AM
 
 

O papel das empresas

A imprensa brasileira tem abordado eventualmente, nos últimos dias, temas relacionados à infância e à adolescência.

Prostituição infantil, trabalho infantil em condições degradantes ou inadequadas e ofensiva dos traficantes para ampliar a venda de crack a consumidores cada vez mais jovens da classe média são algumas das questões levadas à pauta.

Em praticamente todas as reportagens, destaca-se a responsabilidade do Estado, quase sempre cobrando-se ações dos governos estaduais.

No entanto, a maioria dos problemas e riscos que afetam crianças e jovens podem ser atacados ou reduzidos mais efetivamente pela iniciativa privada.

Recentemente, a decisão de algumas das maiores redes de supermercados, de não comprar carne de gado originada de regiões de desmatamento recente, gerou uma cadeia de medidas que incluiu os principais frigoríficos e produziu uma onda de decisões para o controle da pecuária na Amazônia.

Em grande parte dos casos citados pelos jornais, bastaria que algumas empresas de transporte estabelecessem algum controle sobre o comportamento de seus caminhoneiros, e seria possível combater a prostituição nas estradas e, de quebra, estabelecer alguma restrição à mistura de álcool e direção.

Da mesma forma, indústrias do setor siderúrgico são diretamente responsáveis pela manutenção de crianças praticamente escravizadas em carvoarias em vastas regiões do Brasil.

Sabe-se que o Estado não pode tudo e que a iniciativa privada também tem responsabilidades que extrapolam a simples realização de lucros.

A isso se chama responsabilidade social.

Mas a imprensa segue muito distante desse tema e das demais questões que deveriam incluir na agenda pública um debate consistente sobre sustentabilidade.

Nesta quarta-feira, por exemplo, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados deve votar o projeto de lei 6.424, do deputado mineiro Marcos Montes, que é considerado por especialistas como um retrocesso na política de proteção ambiental.

Controlada por parlamentares da bancada ruralista, o Congresso está para perpetrar um crime contra os interesses do País, sob o silêncio quase total da imprensa. 

Um marco para a internet

Luiz Egypto, editor do Observatório da Imprensa:

- Na quinta-feira passada (29/10), o governo deu um passo importante no sentido de criar mecanismos capazes de definir direitos e responsabilidades civis aplicáveis aos usuários do caos criativo e libertário da internet. Nesse dia, o Ministério da Justiça abriu uma consulta pública, via web, com o objetivo de recolher contribuições para a construção de um marco civil para a internet brasileira.

A iniciativa resultou numa alternativa muito bem-vinda ao projeto de lei substitutivo 76/2000, conhecido como Lei Azeredo, ora em tramitação na Câmara dos Deputados, que no seu afã inquisitorial pretendia criminalizar o comportamento de internautas antes mesmo da existência de alguma legislação que definisse o que deveria ou não ser considerado crime. A intenção, agora, é regulamentar os direitos de quem usa a internet e também os dos provedores de acesso. O foco está em temas como a privacidade, o regime de guarda dos registros de acesso, a liberdade de expressão na rede e a responsabilidades dos provedores. “Antes de qualquer medida de vigilância precisamos afirmar os direitos”, disse Guilherme Almeida, assessor da Secretaria de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, para o Observatório do Direito à Comunicação.

A dinâmica será a seguinte: por 45 dias, estará à disposição da sociedade um texto-base elaborado pelo ministério, que poderá ser comentado num blog hospedado no Fórum de Cultura Digital. O mecanismo de consulta contará ainda com um twitter criado para agilizar o processo. Este também será um dos temas presentes na Conferência Nacional de Comunicação, convocada para dezembro.

Com o resultado desse conjunto de discussões, o governo vai redigir um projeto de lei que ficará por outros 45 dias aberto à discussão pública. Só depois de consolidadas todas as contribuições, o texto será remetido para a apreciação do Congresso Nacional.

Um bom exemplo do que a tecnologia digital pode fazer pela democracia.

Comentários (1)
Comentar
Compartilhe
[imprimir]  [enviar por e-mail ]  [link permanente] [aúdio]
   
   
Não serão publicados comentários com xingamentos e ofensas ou que incitem intolerância ou crime.
Nome :   Sobrenome :
E-mail:   Profissão:
Cidade:   Estado:
Comentário:


para o limite de 1400.
 
The CAPTCHA image
Clique aqui para ouvir o
texto soletrado(mp3)
Digite no campo abaixo o texto
que você vê na imagem ao lado.

 
Rosa  Paixão, Professora (Niterói/RJ)
Enviado em 4/11/2009 às 11:47:44 AM

Acho um absurdo entrar num grande portal de informação e me deparar com manchete do tipo: "Priscila posa nua de novo e diz que adora pornô". Ora, pombas, no grande portal, meu neto de 10 anos entra para ver notícias de futebol. Não acho a notícia adequada a todas as faixas etárias. Então como um grande portal a coloca na primeira página? Os puristas do mercado me recomendam, então, não ter internet em casa. Eu, sinceramente, acho isto um absurdo. Pelo menos os grandes portais de comunicação deveriam ter um mínimo de critério em relação às chamadas para os conteúdos considerados inadequados. Ou será que eles acham que eu tenho que passar o dia fiscalizando a TV e a Internet dentro da minha casa? Se é assim, o Estado que reveja a função da família na sociedade e os limites de sua responsabilidade na educação dos filhos. Não venham exigir isso e aquilo dos pais, porque a família burguesa não foi concebida para ficar exposta a todos os ´perigos do mundo´, tal como acontece hoje. O lar da sociedade burguesa foi concebido como o lugar de refúgio. Como o mundo, inclusive os grandes portais de notícias, entra na casa das pessoas na maior, sem qualquer critério, que assuma então a responsabilidade de educar as crianças.
Compartilhe este texto
Blig Blig BlinkList BlinkList BlogBlogs BlogBlogs BlogLines BlogLines Delicious del.icio.us
Digg Digg Furl Furl Google Bookmarks Google Bookmarks Linkk Linkk Magnolia ma.gnolia
netscape Netscape netvibes Netvibes newsvine Newsvine reddit reddit Stumble Upon Stumble Upon
Technorati Technorati Twitter Twitter Windows Vista Windows Vista Yahoo! MyWeb Yahoo! MyWeb Facebook
Luciano Martins Costa
O programa Observatório da Imprensa no Rádio, produzido pela Cultura AM de São Paulo, é apresentado por Luciano Martins e
tem a participação de Alberto Dines. É transmitido de segunda a sexta-feira pelas emissoras abaixo. Para ouvir as emissoras pela internet clique sobre o nome sublinhado. São Paulo
* Cultura FM (103,3 mHz) de São Paulo, 9h;
Cultura AM (1200 kHz) de São Paulo, 9h;

Rio de Janeiro
* Rádio MEC AM (800 kHz), 10h30;

Brasília
* Rádio Nacional FM (96,1 mHz), 10h30;
* Rádio Nacional AM (980 kHz), 12h30.

Rio Grande, RS
* Rádio Universidade Federal do Rio Grande FM (106,7 mHz), 11h30

Belo Horizonte
* Rádio Inconfidência AM (880 kHz), 9h30;
* Rádio Inconfidência FM (100,9 mHz), 12h30.


Arquivo

Navegue pelos meses usando
também as setinhas azuis.
Você encontra uma descrição do conteúdo dos tópicos, dia a dia.
   2009 
DSTQQSS
127
814
1521
2225262728
2930

Últimos posts
Programa 1171
>>A imprensa e o equilibrista
>>Ainda a Venezuela
Programa 1170
>>Dinheiro sujo na mídia
>>Poupando o Supremo
Programa 1169
>>Em busca da razão
>>A guerra civil midiática
Programa 1168
>>País do curto prazo
>>Andando para trás
Programa 1167
>>A imprensa se equivocou
>>Distorções e manipulação